Triálogos da Loucura


 

Nescau, psicoativo(?)

Sinto... sua... falta.
Vivo; vivo um viver insípido
por ter certeza de algo me falta: você.
Sentir falta de algo que nunca tive...
insano, doente, irreal: meu cotidiano.
E não importa a distância:
ela não existe quando sei que você
vivencia junto comigo sonhos,
sonhos impossíveis que revivemos
como se já fossem velhos filmes
na videoteca empoeirada de nossa alma;
aliás, nada importa,
contanto que não preciso de nada
pra me lembrar que tenho você, sempre,
ainda que só no meu surreal circo;
sempre te tive e te levarei,
junto comigo,
ao infinito quando for a hora.
No fim, talvez não sinta a tua falta:
sinto a tua presença.
Sinto sua voz que nunca ouvi
a sussurar segredos passionais,
trivialidades bobas e preciosas
no meu ouvido enquanto envolve
meu corpo nu com o teu
enquanto contemplamos uma aurora
não mais bela que as demais,
e justamente por isso,
de valor inconcebível.
Quando trago a fumaça
que inexoravelmente altera
o frágil equilíbrio da natureza
(humana, terrestre, transcedental),
vivo com você toda a epopéia,
verossímil ou não,
que qualquer entidade possa imaginar,
criar, viver, morrer, transcender...
Chega. Basta. Eu não consigo.
Assumo a minha total incapacidade
para lidar com esse tufão
que com suas vagas devasta o meu ser
e me reduz ao nada, ao tudo,
à diluição total do meu pobre ego
no cosmo infinito (?) das consciências,
humanas, meramente, ou não.
Laura... como é o nome
disso que sinto por ti?
Não sei... você sabe?
Alguém jamais soube?
Pra que nomes?
A epistemologia não interessa agora...
quero apenas que você permaneça,
indomável e perfeita,
pra que assim eu possa te imaginar.

 

 

E ele ainda teve a coragem de pedir perdão por isso...

Incondicionalmente, e às favas a Epistemologia, OBRIGADA por ser quem é!



Escrito por Lauríssima às 4:47 PM
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