Triálogos da Loucura


O ABISMO

 

A vontade que tenho é de não mais ter vontade.

Ah, se eu pudesse conduzir minha vida!

Não sei se seria diferente do que hoje é.

Mas sei que a responsabilidade e o peso sobre minha consciência seria maior.

Maior e talvez, melhor.

Não existiria complexo, nem culpa (se sou eu quem a sinto).

O futuro seria o tempo mais precioso da minha vida.

Já que o passado e o presente...Explodiriam como um eco na altura e na morbidez de um abismo, que não muito longe, tardaria o futuro (que agora já não é) também explodir!

Os pássaros voariam afoitos na rapidez da luz.

E ao chegarem em terra firme, avistariam a vida cotidiana e os tolos que a protagonizam.

Os avisaria o pior! - Fujam! O mundo está no fim.

Vão depressa, mas vão contra o vento! E a favor da fuga. Da culpa, porque só lá, encontrarão abrigo.

E quando o mundo estivesse acabando, o abismo se difundiria com o tempo!

O tempo, oco, como se rezasse o terço, também se confundiria. E misturaria passado, presente e futuro.

A culpa viria à tona. Os destinos, finalmente se encontrariam e os tolos...

Os tolos e os pássaros (que seguiram a direção da fuga) com tanta sede à salvação, entrariam na Prisão Eterna da Alma!



Escrito por Laura às 7:36 PM
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O HOMEM (RAUL SEIXAS)
 
" (No momento em que eu ia partir... Eu resolvi voltar)
 
Vou voltar
Sei que não chegou a hora de se ir embora, é melhor ficar
Vou ficar
Sei que tem gente cantando, tem gente esperando, a hora de chegar
Vou chegar
Chego com as águas turvas, eu fiz tantas curvas pra poder cantar
Esse meu canto que não presta
Que tanta gente então detesta
Mas isso é tudo que me resta, nessa festa.
Vou ferver
Como que um vulcão em chamas, como a tua cama que me faz tremer
Vou tremer
Como um chão de terremotos
Com o amor remoto que eu não sei viver
Vou viver
Vou poder contar meus filhos, caminhar nos trilhos, isto é pra valer
Pois se uma estrela há de brilhar
Outra então tem que se apagar
Quero estar vivo para ver
O Sol nascer, o Sol nascer...
Vou subir
Pelo elevador dos fundos, que carrega o mundo sem sequer sentir
Vou sentir
Tira a minha dor no peito, que escondi direito, agora vai surgir
Vou surgir
Numa tempestade doida para varrer as ruas em que vou seguir."
 
 (Eu também quero estar viva para ver o sol nascer).
 


Escrito por Laura às 7:00 PM
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9ª Sinfonia de Beethoven

O peso é muito grande. A consciência muito esquecida. E o sorriso muito estreito.

O pensamento tem de haver lógica. Mas não existem leis no mundo dos pensamentos.

Melhor que pensar, é sentir. E o sentimento é meu refúgio. E sei que vou carregá-lo para o resto da minha vida.

Que no momento tem gosto amargo. Mas o amargo, não é o gosto da vida. Passo por uma fase, onde não quero sentir, não quero ver, não quero ouvir, não quero tocar nada.

Sinto náuseas a cada palavra hipócrita que escuto. E não me envergonho por isso.

Parece que cada dia que passa, estou mais distante do que foi me imposto ser.

E disso eu tenho medo. Tenho medo de ficar sozinha, mas quero ficar sozinha.

Não quero ser orgulho de ninguém. Não quero me orgulhar de ninguém. Não quero ser.

Antes, preciso estar em algum lugar.

 

O esquadro está torto, o compasso não quer mais círculos.

Perco a hora, e chego em mim tarde demais.

Quero mudar o relógio, mas ele parece ser mais forte que eu.

 

Antes de terminar todo esse egoísmo meu,

Desconsidere absolutamente tudo o que você leu.

E quem o fizer, “eu tiro meu chapéu”.



Escrito por Laura às 8:45 PM
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SOBRIEDADE

 

O amor me trouxe até aqui e é por isso que eu não vou desistir.

A paixão me entorpeceu, a ilusão me decepcionou, a decepção me iludiu... Mesmo assim, estou aqui.

Estou aqui, não porque espero reciprocidade da vida, ou da morte, seja lá o que for.

Mas porque gosto de estar aqui e estou aqui porque gosto.

As explicações freudianas são simples perto dos problemas, que na verdade não existem! 

E você ainda se acha no direito de reclamações.

Tudo parece tão simples à vista de um entorpecido, que a vida, passa a ficar chata!

Querer sobriedade, é querer enxergar a última coisa que você deseja sentir,

E o sentimento por mais nobre que possa parecer, é fútil à vista do entorpecido,

Que agora já não liga mais para observações minúsculas, ou maiúsculas com letras de forma ou de mão.

O que ele quer... É viver, é sentir, é amar.

Mesmo aparentando para os sóbrios, a verdadeira: Loucura.

Ele realmente não se importa!

 

Boa loucura com doses de sobriedade à vocês, e uma ótima semana!

 

 

 



Escrito por Laura às 10:29 PM
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