Agora sim, Eu voltei, Com esperança de mudar!
Primeiro deitei-me. Depois, quase acomodada, fechei os olhos para não mais ver o relógio que insistia em me prender a atenção. Precisava de um descansar eterno!
Relaxei.
Mas relaxei o corpo, pois a mente não me deixava em paz nem por um segundo sequer.
Pensamentos iam e vinham como tontura de quem acabara de embriagar-se.
Tentando não pensar em pensamentos, com os olhos ainda fechados, comecei a imaginar.
Mas não queria imaginar nada, nem pensar nada.
Imagens confusas misturavam-se.
E não mais pude me identificar. Não mais sabia o que era passado ou presente.
Eu estava no futuro.
Mas o futuro só a Deus pertence...
Mentira.
Pertenceu a mim esse dia. Eu me vi. Pela primeira vez, eu me vi.
E pude enxergar minha futura vida mesquinha.
Uma vida normal e igual: fútil e inútil; monótona e hipócrita; cheia de ambição e descontentamento. Que decepção!
Não queria mais me ver.
Precisava acordar o mais rápido possível.
Mas eu sabia que se acordasse, correria o risco de nunca mais poder me ver.
De nunca mais sentir tamanho poder, em poder me ver.
O meu futuro, que até então pertencia somente a Deus, estava me pertencendo.
Essa euforia toda de Ver me deixou confusa,
E um sentimento inexplicável me tomou o coração.
Foi quando escutei vozes e sem pensar, voltei.
Não porque tinha decidido algo. Mas por que voltei.
Inexplicavelmente voltei.
E voltei não me lembrando de mais nada.
Um enjôo me tomara o estômago; uma sensação de vazio me preencheu; parecia que havia apanhado de alguém, meu corpo doía. Estava com medo. Chorei.
Mas o que estava acontecendo?
Não conseguia me lembrar de nada.
Alguém me viu e me pegou no colo.
Com um sorriso estampado no rosto emocionado, me colocou nos braços de uma mulher que eu nunca vira antes, mas já gostara dela.
Nos olhos dela pude me ver novamente, e pude ver também quem era aquela doce mulher que também chorava.
Não mais eufórica, tentei falar com ela.
Mas não consegui.
Serena, olhei para ela calmamente,
E com uma voz de anjo, ela disse a mim: - Benvinda a vida, minha filha!!
Escrito por Laura às 9:23 PM
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